Já escrevi e reescrevi inúmeras maneiras de começar este texto, e nenhuma me pareceu ao menos razoável. Cheguei até a desistir de tentar organizar toda a bagunça que essa leitura deixou, e procurar por um método que pudesse transcrever tudo em palavras, mas até mesmo na tarefa de desistir, eu falhei. Falhei e voltei atrás porque passaram-se dias e Viver não me deixou, fixou-se nos meus pensamentos e me forçou a escrever algo aos trancos e barrancos, não me deixando nem mesmo a escolha de escolher fugir. Agora, especificamente, vejo o quanto o título grita. Viver
é mais do que uma palavra, mais do que um conjunto qualquer de letras, viver é
a essência. Num primeiro momento considerei o título como mais uma das ironias
de Yu Hua, mas agora... Agora vejo que nenhuma outra palavra, mesmo que de
significado parecido, conseguiria se equiparar a grandeza de, veja que
simples, viver. É tremendo. E triste. Uma história que abrange meio século, que narra uma vida, que passa até mesmo pelas transformações políticas da China contemporânea.
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