Pages

Mostrando postagens com marcador Comédia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comédia. Mostrar todas as postagens

Diga não às drogas! (neste caso: à poções do amor)

02/04/2013

Sabe aquela história de fulano gosta de ciclano, porém, ciclano não está nem aí para fulano, ele gosta mesmo é do beltrano e assim sucessivamente? Aquela dança das cadeiras infindável em que no final todo mundo acaba gostando de todo mundo? É quase isso que acontece nesta comédia de Shakespeare. E uma comédia que, diferentemente, de A Megera Domada, me proporcionou umas boas risadas.

A história é a seguinte: estamos em Atenas, Grécia, à poucos dias do casamento do duque Teseu com Hipólita, a rainha das Amazonas. Nesse meio tempo, conhecemos Egeu, pai da jovem Hérmia (que é apaixonada por Lisandro), que exige ao duque que se façam valer seus direitos de pai e faça com que sua filha case-se com Demétrio (que por sua vez é apaixonado por Hérmia). Só que Hérmia não está nem aí para Demétrio, ela quer se casar mesmo é com Lisandro, porém, seu pai é contra essa união. Teseu, então, dá três opções à Hérmia: 1. Satisfazer a vontade do pai e casar-se com Demétrio; 2. Condenar-se à uma vida de virgindade e reclusão como freira; e 3. Morrer.

Obviamente, nenhuma das alternativas dadas saltam aos olhos dos amantes, que resolvem, assim, tomá-los eles mesmos uma decisão: fugir para o bosque fora de Atenas, e casarem-se escondidos. Só que os amantes, depois de decisão tomada, resolvem segredar seu plano à Helena (que é apaixonada por Demétrio). Esta por sua vez, pensando em ganhar alguns pontos com seu amado, resolve contá-lo o plano de fuga de Hérmia e Lisandro.

No solstício de verão o bosque virou o point de encontro não só de casais apaixonados (ou nem tanto), mas de ninguém mais, ninguém menos, que Oberon e Titânia (rei e rainha dos elfos) acompanhados de seus séquitos e de Puck (o saci-pererê de duas pernas do Shakespeare) que é em suas próprias palavras:

Puck
[...] Eu sou realmente, o ledo vagabundo noturno que brinquedo faço de tudo. [...] Às vezes ponho tudo em polvorosa, quando me escondo, qual maçã cozida, no jarro de uma velha tagarela: tropeço-lhe nos beiços, sem que o veja, e no colo derramo-lhe a cerveja. A sábia tia, às vezes, numa história de enredo triste e perenal memória, pensa me ter, qual um banquinho à mão, então me afasto e, bum! vai ela ao chão, e enxertando na história um disparate reclama em altas vozes o alfaiate, sem parar de tossir. Em gargalhadas as comadres rebentam, de malvadas, saltam de gozo e juram, da janela, não terem visto uma hora como aquela. [...]"

Ele também azeda o leite e queima o feijão. Tá, a parte do feijão é brincadeira.

E como comédia pouca é bobagem, uma companhia de teatro bem mixuruca também resolve ensaiar sua peça, adivinhem onde? Isso mesmo, no tal bosque! E aí sim, é que O Sonho de uma Noite de Verão começa...

Oberon queria muito certo jovem para fazê-lo de pajem, mas como Titânia era osso duro de roer, e não entregava o menino por nada, ele resolveu por em prática um pequeno plano para ter aquele que tanto desejava. Resolveu que quando Titânia estivesse dormindo, espremeria o sumo de uma certa flor em seus olhos, que faria com que a rainha dos elfos se apaixonasse pela primeira pessoa ou animal que aparecesse em sua frente. De modo que, tomada pela paixão, ela não poria nenhum obstáculo ao desejo de Oberon de tomar o pequeno rapaz para si.

Nessa hora, entram Demétrio e Helena à procura de Lisandro e Hérmia, a fim de impedir sua fuga. Demétrio que despreza Helena, já que é apaixonado por Hérmia, a destrata e a humilha, exigindo que Helena o deixe em paz de uma vez por todas e pare de o seguir. Então, Oberon, que estava invisível ouvindo toda a conversa (Harry Potter, aprenda com o rei dos elfos), se apieda da pobre Helena e ordena a Puck que faça uso da poção do amor no "jovem ateniense". Só que, claro, não só tinha Demétrio de jovem ateniense no bosque badalado, usando a poção de amor em Lisandro e deu-se início a confusão: Lisandro, acordado por Helena, apaixona-se perdidamente por ela, já que foi sua primeira visão sob o uso da poção do amor, esquecendo por completo de Hérmia. O rei dos elfos, reconhecendo a confusão que Puck tinha feito, ordena mais uma vez que ele faça uso da flor, mas desta vez no jovem certo. E o que acontece? Claramente Lisandro e Demétrio caem de amores por Helena, e Hérmia, coitada, fica lá chupando o dedo.

Já a primeira visão da rainha dos elfos é Bottom, um dos atores da companhia de teatro, que, anteriormente, tinha sido presenteado por Puck com uma cabeça de burro. Titânia, então, fica loucamente apaixonada por Bottom, e acaba satisfazendo a vontade de Oberon. Isso tudo por um menininho, minha gente, vejam bem. Conseguido o que queria, Oberon desfaz o feitiço sobre Lisandro e Titânia, deixando apenas que Demétrio permaneça apaixonado por Helena, assim como ela era por ele. E na memória dos envolvidos, tudo isso não passou de um sonho de uma noite infindável. Um simples Sonho de uma Noite de Verão...


P.S.: O arco três de Sandman, história número dezenove (imagem abaixo), trata justamente desta peça de Shakespeare. É uma releitura muito bacana, além de ter o selo Neil Gaiman de qualidade (baba, Taciele, baba). Vale à pena dar uma chance, e ver esta peça num estilo diferente, em quadrinho, além de ter adicionada não só a escrita de Gaiman, como um personagem muito ilustre, o próprio Sonho, o Sandman.



Nem tão megera assim...

06/02/2013

Sinto uma imensa vergonha em dizer que sou praticamente leiga no universo Shakespeariano, e que tudo que eu tinha lido dele era, basicamente, uma versão resumida de Romeu e Julieta, durante o Ensino Fundamental. Até agora. Resolvi então aproveitar a oportunidade dada pelo Desafio Literário 2013 e me introduzir nas obras deste, que é considerado um gênio, um dos melhores autores do mundo (sem dúvida o mais conhecido), através de A Megera Domada.


A peça tem seu início a partir do desejo de um Lorde em pregar uma peça, e divertir-se às custas de um bêbado pobre coitado. Ao encontrá-lo dormindo no chão frio, resolve criar uma encenação junto aos seus criados a fim de fazer o homem acreditar que era um Lorde e que teria passado os últimos 15 anos de sua vida sendo vítima de acessos de loucura. O verdadeiro Lorde ainda obriga seu pajem a passar-se pela esposa do bêbado. No meio dessa pilhéria, chega então uma verdadeira companhia de teatro à cidade e passa a encenar a história pela qual verdadeiramente aguardamos: A Megera Domada.

"Eis a história: Batista Minola, rico mercador de Pádua, possui duas lindas filhas. Uma se chama Catarina e possui um gênio terrível, enquanto a segunda, Bianca, é o oposto da irmã, de tal modo tem a índole mansa e cordata. Como era de esperar-se, Bianca possui muitos candidatos, mas Batista, valendo pelos interesses das filhas, decide que não se casará, enquanto a mais velha não encontrar, também, um noivo."

Diante da necessidade de se encontrar um marido para a megera Catarina, eis que Petruchio, amigo de Hortênsio (um dos pretendentes de Bianca), chega à Pádua e toma para si a missão de casar-se com a filha mais velha de Batista e banhar-se no rico dote, independente do gênio intratável da futura esposa. Feito o cortejo, rapidamente é marcado o casamento. Petruchio, para provar sua vontade sobre a de Catarina, aparece maltrapilho e atrasado na cerimônia do próprio casamento. E aí, então, começa a verdadeira "papagaiada". Contra todas as expectativas, Catarina encontrou um marido um tanto quanto mais terrível que ela. E a partir daí, que o tom cômico toma conta da obra.

Bom, daqui para frente é uma constante briga de gato e rato entre os recém-casados, um eterno cabo de guerra no qual um tenta sobrepor sua vontade a do outro. Sinceramente, não gostei. Foi até uma decepção considerando o quanto esperava de uma obra do tão famigerado William Shakespeare. No mais, resta certa dúvida a respeito de quem será que foi realmente domado nessa história toda? Ou talvez assim simplesmente tenha me parecido. De qualquer maneira, quero apenas encontrar um propósito para justificar uma leitura que apesar de fluída e constante (atemporal como um clássico deve ser), não conversou comigo.
 
FREE BLOGGER TEMPLATE BY DESIGNER BLOGS