“Chamo-lhe amor para simplificar. Há palavras assim, que se dizem como calmantes. Palavras usadas em série para nos impedir de pensar. O que existia, existe, entre nós, é uma ciência do desaparecimento. Comecei a desaparecer no dia em que os meus olhos se afundaram nos teus. Agora que os teus olhos se fecharam sei que não voltarás a devolver-me os meus.”
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Fazes-me falta – Inês Pedrosa
20/09/2013
12/09/2013
Como a tristeza de perder o amor de uma vida inteira e ter de lidar com a solidão ou, mais precisamente, como de repente ser obrigado a encarar os maiores e mais íntimos medos. O continuar a caminhar mesmo sabendo que não importa quantos atalhos sejam tomados, quanto tempo se passe, o ponto de chegada - ou partida -, de todos, sempre será o mesmo.
13/07/2013
Antes de tudo, gostaria de dizer que nunca, em toda minha vida como leitora, fui tão mentalmente sugada por um livro como o fui por Crime e Castigo. Mesmo agora, depois do término da leitura, anda me sinto mentalmente cansada por ter mergulhado tão intensamente na montanha-russa sentimental que é Raskólnikov. Fiódor Dostoiévski alcançou outro nível com Crime e Castigo. A “loucura” de Raskólnikov, que foi não menos do que brilhantemente narrada, eleva ainda mais a literatura russa, já consagrada por seus autores sempre sensacionais em retratar os sentimentos humanos mais reais, mais crus, mesmo que sejam personagens fictícios.
Crime e Castigo não é um livro fácil de ser lido, muito menos de uma leitura constante. Dostoiévski criou uma obra densa, visceral, que em diversos momentos parece mais um furacão. Raskólnikov por si assemelha-se mais a um trem desgovernado que às vezes freia subitamente, para recomeçar o percurso rumo a lugar nenhum ainda mais descontrolado. Duvido muito que alguém não saia de Crime e Castigo com a base de si mesmo um pouco (ou muito) abalada; que Dostoiévski não balance as estruturas do leitor seja ele quem for. Sente-se uma grande angústia não só por Ródia, como por todos aqueles personagens que, em menor ou maior grau, tem uma parte da sua alma desnudada e esmiuçada por Dostoiévski.
Mas vamos aos fatos: Rodion Românovitch Raskólnikov, o protagonista transtornado desta história, talvez por dinheiro ou talvez como uma forma de provar a si mesmo de que é um homem superior aos demais, resolve-se por matar uma velha usurária. Velha essa que, segundo o próprio Raskólnikov, não passava de um piolho e que sua morte foi mais um bem do que um crime. Entretanto, a irmã da velha aparece na hora errada, no lugar errado e acaba por presenciar o crime, o que leva Rodion a cometer o segundo assassinato: acaba por matar também a irmã da velha usurária. Esse então foi o crime. A partir de então, vem o castigo. Imposto de si, para si pelo próprio Raslkólnikov! E não pense que é por arrependimento que ele se perde num frenesi durante toda a história, mas sim pelo fato de não conseguir continuar com sua vida como se nada houvesse acontecido; de não ser um dos homens extraordinários, tal qual Napoleão Bonaparte [frequentemente citado por Raskólnikov como um homem que não se importaria com ninharias (como matar uma velha usurária) para atingir os seus objetivos].
E mesmo assim Ródia sofre, e como sofre! E nos leva a sofrer junto com ele, a se angustiar junto com ele. Nós os seguimos pelas ruas e becos e tabernas e cubículos de São Petersburgo sempre, e cada vez mais, com o coração apertado. Sem nos atrevermos a adivinhar o próximo passo, o que virá a seguir... A leitura de Crime e Castigo me durou mais de um mês, um tempo relativamente longo para um livro de pouco mais de 500 páginas, e mesmo assim me teria custado muito mais graças ao enorme esgotamento que ele me causou, não fosse a minha vontade por acabar com o sofrimento; o de Ródia e, por tabela, o meu.
O livro é permeado de diálogos não menos que sensacionais. A sequência do diálogo entre Porfiri e Ródia, durante seu primeiro encontro, no qual discutem o artigo de Raskólnikov (artigo esse no qual Ródia divide os homens em ordinários e extraordinários. Os primeiros são apenas os seguidores da ordem, não tem o viço para serem mais do que a massa mediana da população; já os segundos, são a nata, àqueles a quem a lei não importa, porque eles fazem sua própria lei, não necessitam seguir aquilo que desprezam, pois são superiores a tudo isso), é absurdo, no melhor sentido que a palavra pode empregar, é afiado como uma adaga. E uso apenas esse diálogo como um exemplo, até porque o que não falta a Crime e Castigo são essas discussões longas que tem o poder de fazer o leitor não desviar os olhos das palavras nem no virar das páginas.
Crime e Castigo é esmagador. Tem a força de uma machadada desferida por um homem que considera a si mesmo como extraordinário. E o é. Porque quanto mais conhecemos o íntimo e as lutas ferrenhas no interior de Raskólnikov não conseguimos não perceber, apesar de tudo, sua retidão, seu senso de justiça, seja ele distorcido ou não. Eu fui, estou e continuarei sendo constantemente sendo esmagada pela força de Dostoiévski, independentemente do incômodo que sua história causa, o final é extremamente significativo, sendo até muito bonito depois de todo o sofrimento sentido. É muito difícil não levar Crime e Castigo consigo depois de ter sido esmagada por Fiódor Dostoiévski.
14/05/2013
“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à
sua maneira.” E este é o mais célebre início de uma das maiores histórias
de todos os tempos. Considerado um colosso da literatura mundial, e obra-prima
do autor russo Liev Tolstói, Anna Kariênina nada mais é do que uma obra de
tamanho tal que, por mais que eu queira, jamais conseguiria exprimir sua
magnitude em palavras que, por sua vez, só conseguiriam demonstrar uma ínfima
parte de algo que é infinitamente majestoso per
se. Ambientado entre – à época – os dois grandes centros da Rússia, Moscou
e São Petersburgo, este grande livro – grande em todos os aspectos – acompanha
a história dos dois protagonistas Anna e Liévin, que entre toda a extensa
narrativa encontram-se apenas uma vez. Porém, não são menos ligados do que se
fossem postos juntos em todas as páginas.
O tradutor Rubens Figueiredo conta, em sua apresentação, como a história de Anna começou a nascer na mente de Tolstói. Para o bem ou para o mal, já sabemos o que acontecerá ao fim do livro, mas é o caminho até lá que verdadeiramente importa. É o poder de Liev Tolstói em nos inserir na mente e nos desejos e nos mais profundos sentimentos de seus personagens, que reside o brilho incandescente de Anna Kariênina.
Esta é, trocando em miúdos, uma história sobre aparências. Trata sobre aquilo que se passa no íntimo de cada um e de como isso é externado, quando externado. Estamos sempre a par dos sentimentos das personagens e do que essas mesmas personagens aparentam ser. O dilema interno de cada um em esconder o máximo possível aquilo que tem de mais verdadeiro dentro de si. Escondendo até de si mesmo, como é o caso de Kariênin. É uma história de como a má interpretação do outro, a leitura errada da personalidade e dos possíveis pensamentos do outro pode acarretar tanta infelicidade, tanta tristeza, tanto sofrimento...
"[...] Qualquer pessoa que conheça até os mínimos pormenores toda a complexidade dessas condições que a cercam é levada a supor, de modo involuntário, que a complexidade dessas condições e a dificuldade para encontrar uma solução constituem uma peculiaridade pessoal e fortuita, apenas sua, e nem de longe imagina que os outros estejam também cercados pela complexidade de suas próprias condições pessoais."
Anna Arcádievna, uma dama da alta sociedade Petersburguesa, casada com Kariênin, e mãe de Serioja, resolve viajar até Moscou a fim de ajudar a salvar o casamento do irmão, Stiepan Arcáditch. Stiva, como é carinhosamente chamado - que não é lá um belo exemplo de espécime muito apegado a fidelidade -, viu sua comum vida doméstica ser posta de ponta-cabeça ao ser descoberta, por sua esposa Dolly, uma de suas puladas de cerca. Chegando à Moscou com a melhor das intenções, o destino resolveu agir e trazer ao seu encontro uma alma, que a partir de então, se tornou parte dela própria. O destino trouxe conde Vrónski, e foi exatamente neste momento que o trem começou a sair dos trilhos...
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| Anna e Vrónski, da adaptação cinematográfica de 2012. |
“– Eu, infeliz? – disse ela, aproximando-se dele e fitando-o com um extasiado sorriso de amor. – Eu sou como uma pessoa faminta a quem deram o que comer. Talvez essa pessoa esteja com frio, e suas roupas estejam rasgadas, talvez sinta vergonha, mas infeliz não é. Eu, infeliz? Não, aqui está a minha felicidade...”
E como esta história é uma espécie de teia magistralmente trançada na qual todos os personagens estão, invariavelmente de alguma forma, interligados, temos uma das grandes cabeças desta obra, Konstantin Liévin., um aristocrata que vive no campo e dele não abre mão jamais. Liévin, que chegou em Moscou quase ao mesmo tempo que Anna, o foi com o propósito de pedir a bela Kitty em casamento. Kitty – que é a irmã mais nova de Dolly e cunhada de Stiva, este que é o mais próximo de melhor amigo para Liévin –, por sua vez, é apaixonada e sonha em se casar com Vrónski, e este, bem, todos nós sabemos muito bem por quem ele caiu de amores...
Mas deixemos de lado toda essa dança das cadeiras e foquemo-nos única e exclusivamente apenas em Liévin, ao menos por um momento. Entre todos os personagens, Liévin é o mais transparente e o mais firme. Aliás, não acredito que firme seja a palavra correta, mas por firme quero dizer que Konstantin é o personagem mais reto (?). – Ok. A explicação ficou ainda mais confusa, mas tentemos de novo porque não sou leitora de desistir fácil! – Mais uma vez, por reto quero dizer que as nuances de sua personalidade são facilmente percebidas, graças ao poder de Tolstói em dar tamanha emoção às suas criações. Nós, os leitores, temos total acesso ao que se passa nas profundezas do seu coração, no centro da sua alma. Assim como os outros personagens também o percebem em menor ou maior grau, que é o caso de Stiva. À princípio, aparenta ser um "nada demais", mas no decorrer da leitura Liévin se torna o personagem mais nítido. Percebemos que tudo o que ele é, tudo o que faz parte dele, só poderia pertencer à ele e à ninguém mais e é, justamente essa característica, que o faz tão singular entre tantos personagens.
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| Liévin, também da adaptação de 2012. |
“– Aí está, veja só – disse Stiepan Arcáditch, você é um homem muito íntegro. É a sua qualidade e o seu defeito. Tem um caráter íntegro e quer que toda a vida seja formada de fenômenos íntegros, mas isso não acontece. Você despreza a atividade do serviço público porque deseja que o trabalho sempre corresponda a um fim, e isso não acontece. Quer também que a atividade de um homem sempre tenha um fim, que o amor e a vida em família sejam sempre uma coisa só. E isso não acontece. Toda a diversidade, todo o encanto, toda a beleza da vida é feita de sombras e de luz.”
E quem seria o extremo oposto de Liévin, senão Vrónski? O apaixonado Vrónski... Não digo que seu amor não fosse verdadeiro, mas, certamente, dificilmente foi da maneira que tentava tanto mostrá-lo. Ele se apaixonou por uma Anna que existia apenas na sua imaginação. A verdadeira Anna, mesmo dizendo o contrário, não significava para ele mais do que uma versão piorada do que tinha sido um dia. Mas, claro, para todos os efeitos externos o tal amor permanecia intacto.
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| Kariênin, de adivinhem qual adaptação? |
E a própria Anna, apesar de encontrar, cada vez mais frequentes, os sinais de que a devoção de Vrónski estava arrefecendo, preferia não vê-los. Ignora sua existência, e culpa apenas o marido por suas desgraças. Pobre Kariênin... Aos meus olhos, talvez o que mais sofreu nessa história toda. Sempre sufocando seus sentimentos, suas inseguranças e nunca alterando suas feições e atitudes frias diante de tudo que acontecia. Mas esta, não esqueçam, é uma história de aparências. Ele amava a esposa, mas nunca se permitia externar seus verdadeiros sentimentos. E Anna jamais o enxergou como ele era verdadeiramente, e sempre o culpava e condenava por sua infelicidade, chamando-o de boneco e de máquina, clamando sempre o quanto conhecia o marido. Pobre Anna, tão cega e tão injusta...
“– Sim, a senhora só pensa em si, mas o sofrimento do homem que foi seu marido não lhe interessa. Para a senhora, não importa que toda a vida dele desmorone, que ele muito se afi... se afle... se aflija.”
Mas todas as minhas opiniões e julgamentos provém da narração estupenda de Liev Tolstói. Até porque, convenhamos, Anna Kariênina poderia muito bem ser uma história de infidelidade qualquer, não fosse o dom desse senhor russo em passar-nos os sentimentos tão humanos, tão reais que estavam por trás de todas as ações se seus personagens. E, esse sim, é o grande mérito e onde reside a grande qualidade da obra.
Anna Kariênina é uma obra densa e absolutamente completa. Não há um assunto que não seja aqui tratado e debatido, sejam eles: política, economia, religião, filosofia, arte etc... Ao fim, e ao cabo, tudo que gostaríamos é que tivesse muito mais páginas a fim de não nos separarmos nem tão cedo deste, já dito anteriormente, colosso da literatura mundial.
P.S.: Aproveitando o tema deste mês para o DL 2013 (livros citados em filmes), uso essa resenha como minha participação, já que Anna Karenina foi citado no filme A Insustentável Leveza do Ser.
Anna Kariênina é uma obra densa e absolutamente completa. Não há um assunto que não seja aqui tratado e debatido, sejam eles: política, economia, religião, filosofia, arte etc... Ao fim, e ao cabo, tudo que gostaríamos é que tivesse muito mais páginas a fim de não nos separarmos nem tão cedo deste, já dito anteriormente, colosso da literatura mundial.
P.S.: Aproveitando o tema deste mês para o DL 2013 (livros citados em filmes), uso essa resenha como minha participação, já que Anna Karenina foi citado no filme A Insustentável Leveza do Ser.
10/04/2013
Limpe
da sua mente todas as histórias que já tenha lido a respeito do Rei Artur.
Esqueça o fato de esta ser a história mais contada através dos tempos. Faça de
conta que esta não é a “lenda” mais conhecida do mundo. Feito isso, abra o seu
volume de O Rei do Inverno, o primeiro livro da trilogia As Crônicas de Artur,
do autor inglês Bernard Cornwell, e depare-se com a mais "precisa" história a respeito desse personagem tão mítico que foi Artur. Ah, esqueça
também o título de “Rei”, porque aqui, Artur não governou (por direito) reino algum. Confesso
que é difícil tirar da cabeça algo tão arraigado, uma história tão comumente
disseminada e já intrínseca a memória como a lenda do “Rei” Artur, Os
Cavaleiros da Távola Redonda, e a própria Avalon. Assim como seus personagens
únicos e mundialmente conhecidos, tais como: Merlin, Morgana, Guinevere,
Lancelot... Abra sua mente, e conheça a mais humanizada versão sobre quem
foi Artur.
O livro é narrado pelo ponto de vista de Derfel, um padre que (quando jovem foi um dos guerreiros do cavaleiro mais famoso de todos os tempos) foi incumbido por sua patrona, Igraine (homônima da mãe de Artur), rainha de Powys, casada com Brochvael, de escrever a verdadeira história sobre o Rei que Nunca Foi. E aqui tive um certo descontentamento. Eu esperava um livro cujo foco fosse a vida de Artur, desde criança até os grandes feitos. E como não foi isso que aconteceu, toda a minha expectativa ficou um tanto quanto sem norte. Eu não sabia que reação demonstrar diante de algo que eu, realmente, não esperava. Nesta história, Artur já é conhecido e reconhecido, não acompanhamos o início de tudo, não somos introduzidos pouco a pouco, logo no início já mergulhamos de cabeça, e só conhecemos o tido protagonista pelos olhos de, inicialmente, uma criança. E isso me incomodou. E me incomodou bastante consideradas as minhas altas expectativas que não foram, ao menos totalmente, atendidas. E encontrar um livro do Bernard Cornwell, um dos meus autores favoritos, aquém das minhas expectativas logo na sua obra mais famosa, foi, no mínimo, inesperado.
E já que o assunto são os incômodos, outra personagem que me deixou absolutamente frustrada foi: Morgana. Sempre imaginei Morgana como uma das mulheres mais fortes e menos submissas nessa história. Uma mulher com vida própria. Alguém que fazia as engrenagens dessa história rodar. E a Morgana apresentada, foi tão aquém do que eu imaginava que, foi a maior frustração que eu já tive, diante de toda a expectativa criada. Aqui, Morgana se torna uma simples personagem secundária, cuja importância é menor que a de Nimue, outra sacerdotisa e amante de Merlin. E por falar em Merlin, o mago só resolve aparecer na segunda metade do livro, quando Artur já tinha jogado sua vida no lixo, ao casar-se com Guinevere. E se existe casamento mais amaldiçoado que esse, eu desconheço completamente. Guinevere manipulou e jogou com Artur, até que, por fim, conseguiu fazer com que um casamento fosse feito escondido e as carreiras, e iniciar uma guerra. E aí sim, a partir desse casamento nefasto, é que Artur degringola de vez. Então, a história, de fato, começa.
E não houve decepção maior que: Lancelot. Digo decepção não por a história ser ruim, de modo algum! Disse e repito que esta versão sobre a vida de Artur é a mais precisa, considerando o lado humano de cada personagem envolvido. Por isso, e exatamente por isso, eu sugeri que todos limpassem das suas mentes todas as lendas e histórias já contadas a respeito desse, antes de tudo, ser humano. Só que é impossível, para mim, fechar os olhos para quem foi Lancelot (ao menos, segundo Bernard Cornwell): um covarde vaidoso. Nada de guerreiro emplumado, honrado e etc. Apenas um homem vil, covarde, invejoso e vaidoso. Claro que o par perfeito para Guinevere.
O único personagem, que apesar de demorar a aparecer, que não ficou aquém do esperado foi, ninguém mais, ninguém menos, que Merlin. E, apesar de, ao menos neste primeiro volume, não dar o ar da sua graça com a frequência que eu gostaria, foi uma passagem feliz, sendo o Merlin que eu esperava que fosse. E algo assim acontecendo depois de tantos desencantos, deu-me um ânimo a mais para prosseguir. Foi como respirar ar puro depois de muito tempo respirando fumaça de carros.
A narração das batalhas são o grande ponto de forte de Bernard Cornwell. Ele as descreve tão bem que nos teletransporta até aquele momento, tenha ele existido ou não. O que torna a leitura infinitamente mais rica. E é por isso, por essa característica que torna Cornwell tão bom no que faz, que O Rei do Inverno não foi tão frustrante e cercado de desapontamentos. A história é ótima, a narrativa é melhor ainda, o modo como tudo é tratado não deixa a desejar, mas, por motivos já explanados, esse primeiro volume de As Crônicas de Artur não funcionou para mim.
Sou fã de Bernard Cornwell, tenho A Busca do Graal como uma das minhas obras favoritas já escritas por ele, mas, infelizmente, não senti o mesmo com relação a história de Artur. E a "culpa" disso é totalmente minha. Vim com muita sede ao pote, transbordando de expectativa, e quando não encontrei nada daquilo que imaginava estar à minha espera, simplesmente, me desencantei. Pretendo, com toda a certeza, ler os próximos volumes, embora não com a mesma vontade com que comecei este primeiro. O que talvez seja uma coisa boa, já que a grande expectativa que eu sentia foi o que "estragou" a leitura deste volume. No mais, recomendo a todos que gostam de ficção histórica, do Bernard Cornwell, e das lendas e histórias a respeito do tão famigerado "Rei" Artur.
O livro é narrado pelo ponto de vista de Derfel, um padre que (quando jovem foi um dos guerreiros do cavaleiro mais famoso de todos os tempos) foi incumbido por sua patrona, Igraine (homônima da mãe de Artur), rainha de Powys, casada com Brochvael, de escrever a verdadeira história sobre o Rei que Nunca Foi. E aqui tive um certo descontentamento. Eu esperava um livro cujo foco fosse a vida de Artur, desde criança até os grandes feitos. E como não foi isso que aconteceu, toda a minha expectativa ficou um tanto quanto sem norte. Eu não sabia que reação demonstrar diante de algo que eu, realmente, não esperava. Nesta história, Artur já é conhecido e reconhecido, não acompanhamos o início de tudo, não somos introduzidos pouco a pouco, logo no início já mergulhamos de cabeça, e só conhecemos o tido protagonista pelos olhos de, inicialmente, uma criança. E isso me incomodou. E me incomodou bastante consideradas as minhas altas expectativas que não foram, ao menos totalmente, atendidas. E encontrar um livro do Bernard Cornwell, um dos meus autores favoritos, aquém das minhas expectativas logo na sua obra mais famosa, foi, no mínimo, inesperado. E já que o assunto são os incômodos, outra personagem que me deixou absolutamente frustrada foi: Morgana. Sempre imaginei Morgana como uma das mulheres mais fortes e menos submissas nessa história. Uma mulher com vida própria. Alguém que fazia as engrenagens dessa história rodar. E a Morgana apresentada, foi tão aquém do que eu imaginava que, foi a maior frustração que eu já tive, diante de toda a expectativa criada. Aqui, Morgana se torna uma simples personagem secundária, cuja importância é menor que a de Nimue, outra sacerdotisa e amante de Merlin. E por falar em Merlin, o mago só resolve aparecer na segunda metade do livro, quando Artur já tinha jogado sua vida no lixo, ao casar-se com Guinevere. E se existe casamento mais amaldiçoado que esse, eu desconheço completamente. Guinevere manipulou e jogou com Artur, até que, por fim, conseguiu fazer com que um casamento fosse feito escondido e as carreiras, e iniciar uma guerra. E aí sim, a partir desse casamento nefasto, é que Artur degringola de vez. Então, a história, de fato, começa.
E não houve decepção maior que: Lancelot. Digo decepção não por a história ser ruim, de modo algum! Disse e repito que esta versão sobre a vida de Artur é a mais precisa, considerando o lado humano de cada personagem envolvido. Por isso, e exatamente por isso, eu sugeri que todos limpassem das suas mentes todas as lendas e histórias já contadas a respeito desse, antes de tudo, ser humano. Só que é impossível, para mim, fechar os olhos para quem foi Lancelot (ao menos, segundo Bernard Cornwell): um covarde vaidoso. Nada de guerreiro emplumado, honrado e etc. Apenas um homem vil, covarde, invejoso e vaidoso. Claro que o par perfeito para Guinevere.
O único personagem, que apesar de demorar a aparecer, que não ficou aquém do esperado foi, ninguém mais, ninguém menos, que Merlin. E, apesar de, ao menos neste primeiro volume, não dar o ar da sua graça com a frequência que eu gostaria, foi uma passagem feliz, sendo o Merlin que eu esperava que fosse. E algo assim acontecendo depois de tantos desencantos, deu-me um ânimo a mais para prosseguir. Foi como respirar ar puro depois de muito tempo respirando fumaça de carros.
A narração das batalhas são o grande ponto de forte de Bernard Cornwell. Ele as descreve tão bem que nos teletransporta até aquele momento, tenha ele existido ou não. O que torna a leitura infinitamente mais rica. E é por isso, por essa característica que torna Cornwell tão bom no que faz, que O Rei do Inverno não foi tão frustrante e cercado de desapontamentos. A história é ótima, a narrativa é melhor ainda, o modo como tudo é tratado não deixa a desejar, mas, por motivos já explanados, esse primeiro volume de As Crônicas de Artur não funcionou para mim.
Sou fã de Bernard Cornwell, tenho A Busca do Graal como uma das minhas obras favoritas já escritas por ele, mas, infelizmente, não senti o mesmo com relação a história de Artur. E a "culpa" disso é totalmente minha. Vim com muita sede ao pote, transbordando de expectativa, e quando não encontrei nada daquilo que imaginava estar à minha espera, simplesmente, me desencantei. Pretendo, com toda a certeza, ler os próximos volumes, embora não com a mesma vontade com que comecei este primeiro. O que talvez seja uma coisa boa, já que a grande expectativa que eu sentia foi o que "estragou" a leitura deste volume. No mais, recomendo a todos que gostam de ficção histórica, do Bernard Cornwell, e das lendas e histórias a respeito do tão famigerado "Rei" Artur.
02/04/2013
Sabe aquela história de fulano gosta de ciclano, porém, ciclano não está nem aí para fulano, ele gosta mesmo é do beltrano e assim sucessivamente? Aquela dança das cadeiras infindável em que no final todo mundo acaba gostando de todo mundo? É quase isso que acontece nesta comédia de Shakespeare. E uma comédia que, diferentemente, de A Megera Domada, me proporcionou umas boas risadas.
A história é a seguinte: estamos em Atenas, Grécia, à poucos dias do casamento do duque Teseu com Hipólita, a rainha das Amazonas. Nesse meio tempo, conhecemos Egeu, pai da jovem Hérmia (que é apaixonada por Lisandro), que exige ao duque que se façam valer seus direitos de pai e faça com que sua filha case-se com Demétrio (que por sua vez é apaixonado por Hérmia). Só que Hérmia não está nem aí para Demétrio, ela quer se casar mesmo é com Lisandro, porém, seu pai é contra essa união. Teseu, então, dá três opções à Hérmia: 1. Satisfazer a vontade do pai e casar-se com Demétrio; 2. Condenar-se à uma vida de virgindade e reclusão como freira; e 3. Morrer.
Obviamente, nenhuma das alternativas dadas saltam aos olhos dos amantes, que resolvem, assim, tomá-los eles mesmos uma decisão: fugir para o bosque fora de Atenas, e casarem-se escondidos. Só que os amantes, depois de decisão tomada, resolvem segredar seu plano à Helena (que é apaixonada por Demétrio). Esta por sua vez, pensando em ganhar alguns pontos com seu amado, resolve contá-lo o plano de fuga de Hérmia e Lisandro.
Obviamente, nenhuma das alternativas dadas saltam aos olhos dos amantes, que resolvem, assim, tomá-los eles mesmos uma decisão: fugir para o bosque fora de Atenas, e casarem-se escondidos. Só que os amantes, depois de decisão tomada, resolvem segredar seu plano à Helena (que é apaixonada por Demétrio). Esta por sua vez, pensando em ganhar alguns pontos com seu amado, resolve contá-lo o plano de fuga de Hérmia e Lisandro.
No solstício de verão o bosque virou o point de encontro não só de casais apaixonados (ou nem tanto), mas de ninguém mais, ninguém menos, que Oberon e Titânia (rei e rainha dos elfos) acompanhados de seus séquitos e de Puck (o saci-pererê de duas pernas do Shakespeare) que é em suas próprias palavras:
Puck
[...] Eu sou realmente, o ledo vagabundo noturno que brinquedo faço de tudo. [...] Às vezes ponho tudo em polvorosa, quando me escondo, qual maçã cozida, no jarro de uma velha tagarela: tropeço-lhe nos beiços, sem que o veja, e no colo derramo-lhe a cerveja. A sábia tia, às vezes, numa história de enredo triste e perenal memória, pensa me ter, qual um banquinho à mão, então me afasto e, bum! vai ela ao chão, e enxertando na história um disparate reclama em altas vozes o alfaiate, sem parar de tossir. Em gargalhadas as comadres rebentam, de malvadas, saltam de gozo e juram, da janela, não terem visto uma hora como aquela. [...]"
Ele também azeda o leite e queima o feijão. Tá, a parte do feijão é brincadeira.
E como comédia pouca é bobagem, uma companhia de teatro bem mixuruca também resolve ensaiar sua peça, adivinhem onde? Isso mesmo, no tal bosque! E aí sim, é que O Sonho de uma Noite de Verão começa...
Oberon queria muito certo jovem para fazê-lo de pajem, mas como Titânia era osso duro de roer, e não entregava o menino por nada, ele resolveu por em prática um pequeno plano para ter aquele que tanto desejava. Resolveu que quando Titânia estivesse dormindo, espremeria o sumo de uma certa flor em seus olhos, que faria com que a rainha dos elfos se apaixonasse pela primeira pessoa ou animal que aparecesse em sua frente. De modo que, tomada pela paixão, ela não poria nenhum obstáculo ao desejo de Oberon de tomar o pequeno rapaz para si.
Nessa hora, entram Demétrio e Helena à procura de Lisandro e Hérmia, a fim de impedir sua fuga. Demétrio que despreza Helena, já que é apaixonado por Hérmia, a destrata e a humilha, exigindo que Helena o deixe em paz de uma vez por todas e pare de o seguir. Então, Oberon, que estava invisível ouvindo toda a conversa (Harry Potter, aprenda com o rei dos elfos), se apieda da pobre Helena e ordena a Puck que faça uso da poção do amor no "jovem ateniense". Só que, claro, não só tinha Demétrio de jovem ateniense no bosque badalado, usando a poção de amor em Lisandro e deu-se início a confusão: Lisandro, acordado por Helena, apaixona-se perdidamente por ela, já que foi sua primeira visão sob o uso da poção do amor, esquecendo por completo de Hérmia. O rei dos elfos, reconhecendo a confusão que Puck tinha feito, ordena mais uma vez que ele faça uso da flor, mas desta vez no jovem certo. E o que acontece? Claramente Lisandro e Demétrio caem de amores por Helena, e Hérmia, coitada, fica lá chupando o dedo.
Já a primeira visão da rainha dos elfos é Bottom, um dos atores da companhia de teatro, que, anteriormente, tinha sido presenteado por Puck com uma cabeça de burro. Titânia, então, fica loucamente apaixonada por Bottom, e acaba satisfazendo a vontade de Oberon. Isso tudo por um menininho, minha gente, vejam bem. Conseguido o que queria, Oberon desfaz o feitiço sobre Lisandro e Titânia, deixando apenas que Demétrio permaneça apaixonado por Helena, assim como ela era por ele. E na memória dos envolvidos, tudo isso não passou de um sonho de uma noite infindável. Um simples Sonho de uma Noite de Verão...
P.S.: O arco três de Sandman, história número dezenove (imagem abaixo), trata justamente desta peça de Shakespeare. É uma releitura muito bacana, além de ter o selo Neil Gaiman de qualidade (baba, Taciele, baba). Vale à pena dar uma chance, e ver esta peça num estilo diferente, em quadrinho, além de ter adicionada não só a escrita de Gaiman, como um personagem muito ilustre, o próprio Sonho, o Sandman.
11/03/2013
Histórias com animais protagonistas. Um tema que eu poderia, facilmente, discorrer sobre, sendo eu uma aspirante a médica veterinária. Mas eu disse poderia, certo? Poderia se fosse qualquer outro livro que não Caninos Brancos. A maioria dos autores que usam animais como personagens principais ao escrever suas histórias, o fazem puramente como analogias ao comportamento humano. Tratam de sistemas econômicos, humanizam e alguns até satirizam os tais animais. Com Caninos Brancos, a história é, completamente, diferente. Jack London nos mostra a perspectiva do lobo, sem usar de maquiagens e, o mais importante, sem usar de romantismos afetados para descrever a natureza selvagem.
"(...) o lince à espera e o porco-espinho também, ambos atentos à sua própria existência. E o curioso daquele jogo era que a vida para o primeiro consistia em comer o segundo, ao passo que, para este, consistia em não ser comido. E o velho Zarolho, agachado no seu esconderijo, tomava igualmente parte no jogo, esperando um capricho da sorte que o ajudasse a conseguir a carne, que para ele significava também a vida." (pág. 51)
E como autor realista que é, Jack London não poderia deixar de mostrar, dentre todos, qual a fera mais selvagem e perigosa existente na natureza. Animal esse que não exita em demonstrar sua superioridade sempre subjugando os outros. E que animal seria esse se não o homem?
"(...) Os homens eram deuses indiscutíveis, a cujo poder não podia escapar. Tal como a mãe, Kiche, que se lhes rendera mal os ouvira chamá-la pelo nome, assim ele começava a submeter-se. Reconhecia-lhes o direito à iniciativa como privilégio indubitável. Quando avançavam na sua direção, o lobinho afastava-se-lhes do caminho. Quando o chamavam, aproximava-se logo. À mínima ameaça, agachava-se. Se o mandassem embora, afastava-se apressadamente. É que, por detrás de cada desejo do homem, existia sempre o poder que vinha reforçá-lo, um poder que sabia magoar e cujos meios de expressão eram pancadas, pedradas e vergastadas dolorosas." (pág. 82)
O livro é permeado da submissão, da obediência cega e do medo de Caninos Brancos pelo "deus" que é o seu dono. Mesmo sendo maltratado, constantemente surrado e mais, frequentemente, ignorado, ainda assim, ele foi capaz de correr por dias seguidos só para seguir seu dono. Perdido o costume da caçada, amolecido pelo cotidiano doméstico, sobreviver como um cachorrinho foi o que restou da antiga dignidade lupina. Foi lendo as passagens que denotam a extrema solidão de Caninos Brancos, ao ter se deixado ficar para trás quando seu dono resolveu mudar acampamento (e se arrependido por isso, à sua maneira de percepção animal), eu lembrei de um quote, em especial, de As Crônicas de Gelo e Fogo: "Quando as neves caem e os ventos brancos sopram, o lobo solitário morre, mas a alcateia sobrevive." Mas Caninos Brancos não tem alcateia alguma. Tem apenas um dono rude e indiferente, e na mente tão abstrata de um lobo que foi privado de viver em liberdade desde cedo, essa é sua ideia de companhia; essa era a sua alcateia.
O tempo passa, a história continua, até que a sorte de Caninos Brancos piora de vez. Foi vendido a outro "deus", um louco e ainda mais cruel que o anterior, que o punha a lutar até a morte contra outros lobos e cães. Mais selvagemente maltratado a cada dia, ficou, frequentemente, às portas da morte por culpa da malignidade de um homem covarde e cruel. Chegava até a aproveitar os momentos de luta por serem os únicos momentos em que não se via preso, e podia dar vasão a todo o ódio que tinha dentro de si. Ódio esse que constituía seu único alimento desde que, filhote, era com ele que o tratavam.
Mas, a despeito de tanto sofrimento, um dia a sorte veio. E veio acompanhada de amor. O lobo, que durante a vida inteira só recebeu maus tratos, ódio e sofrimento, de repente, se viu sendo amado e, pouco a pouco, amando também. Um amor cego, um amor devoto. Um amor do tipo que só um animal é capaz de demonstrar. E ele, enfim, alcançou a felicidade, uma merecida felicidade. "Caninos Brancos", mais do que qualquer coisa, mostrou que tudo que qualquer criatura da natureza, seja animal ou homem, mais precisa, é o amor. Simplesmente. Sem reservas, sem esperar nada em troca, apenas o amor. E é só isso que nós deixamos no mundo: Nada de material; apenas o sentimento de querer bem, perpetuado para sempre.
"(...) Caninos Brancos servia por dever e medo, mas não por amor. Não sabia o que isso era. Nunca o conhecera. Kiche era uma recordação longínqua. Além disso, não só ele renunciara à selva e à sua própria espécie, quando se entregara ao homem, como os termos do pacto eram tais que, se algum dia tornasse a encontrar Kiche, não deixaria o seu deus para segui-la. A sua submissão ao homem parecia superar tudo o mais: o amor à liberdade, à espécie, à família." (pág. 103)
O tempo passa, a história continua, até que a sorte de Caninos Brancos piora de vez. Foi vendido a outro "deus", um louco e ainda mais cruel que o anterior, que o punha a lutar até a morte contra outros lobos e cães. Mais selvagemente maltratado a cada dia, ficou, frequentemente, às portas da morte por culpa da malignidade de um homem covarde e cruel. Chegava até a aproveitar os momentos de luta por serem os únicos momentos em que não se via preso, e podia dar vasão a todo o ódio que tinha dentro de si. Ódio esse que constituía seu único alimento desde que, filhote, era com ele que o tratavam.
Mas, a despeito de tanto sofrimento, um dia a sorte veio. E veio acompanhada de amor. O lobo, que durante a vida inteira só recebeu maus tratos, ódio e sofrimento, de repente, se viu sendo amado e, pouco a pouco, amando também. Um amor cego, um amor devoto. Um amor do tipo que só um animal é capaz de demonstrar. E ele, enfim, alcançou a felicidade, uma merecida felicidade. "Caninos Brancos", mais do que qualquer coisa, mostrou que tudo que qualquer criatura da natureza, seja animal ou homem, mais precisa, é o amor. Simplesmente. Sem reservas, sem esperar nada em troca, apenas o amor. E é só isso que nós deixamos no mundo: Nada de material; apenas o sentimento de querer bem, perpetuado para sempre.
06/02/2013
Sinto uma imensa vergonha em dizer que sou praticamente leiga no universo Shakespeariano, e que tudo que eu tinha lido dele era, basicamente, uma versão resumida de Romeu e Julieta, durante o Ensino Fundamental. Até agora. Resolvi então aproveitar a oportunidade dada pelo Desafio Literário 2013 e me introduzir nas obras deste, que é considerado um gênio, um dos melhores autores do mundo (sem dúvida o mais conhecido), através de A Megera Domada.
A peça tem seu início a partir do desejo de um Lorde em pregar uma peça, e divertir-se às custas de um bêbado pobre coitado. Ao encontrá-lo dormindo no chão frio, resolve criar uma encenação junto aos seus criados a fim de fazer o homem acreditar que era um Lorde e que teria passado os últimos 15 anos de sua vida sendo vítima de acessos de loucura. O verdadeiro Lorde ainda obriga seu pajem a passar-se pela esposa do bêbado. No meio dessa pilhéria, chega então uma verdadeira companhia de teatro à cidade e passa a encenar a história pela qual verdadeiramente aguardamos: A Megera Domada.
"Eis a história: Batista Minola, rico mercador de Pádua, possui duas lindas filhas. Uma se chama Catarina e possui um gênio terrível, enquanto a segunda, Bianca, é o oposto da irmã, de tal modo tem a índole mansa e cordata. Como era de esperar-se, Bianca possui muitos candidatos, mas Batista, valendo pelos interesses das filhas, decide que não se casará, enquanto a mais velha não encontrar, também, um noivo."
Diante da necessidade de se encontrar um marido para a megera Catarina, eis que Petruchio, amigo de Hortênsio (um dos pretendentes de Bianca), chega à Pádua e toma para si a missão de casar-se com a filha mais velha de Batista e banhar-se no rico dote, independente do gênio intratável da futura esposa. Feito o cortejo, rapidamente é marcado o casamento. Petruchio, para provar sua vontade sobre a de Catarina, aparece maltrapilho e atrasado na cerimônia do próprio casamento. E aí, então, começa a verdadeira "papagaiada". Contra todas as expectativas, Catarina encontrou um marido um tanto quanto mais terrível que ela. E a partir daí, que o tom cômico toma conta da obra.
Bom, daqui para frente é uma constante briga de gato e rato
entre os recém-casados, um eterno cabo de guerra no qual um tenta sobrepor sua
vontade a do outro. Sinceramente, não gostei. Foi até uma decepção considerando
o quanto esperava de uma obra do tão famigerado William Shakespeare. No mais, resta certa dúvida a respeito de quem será que foi realmente domado nessa história toda? Ou talvez assim simplesmente tenha me parecido. De qualquer maneira, quero apenas encontrar um propósito para justificar uma leitura que apesar de fluída e constante (atemporal como um clássico deve ser), não conversou comigo.
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