A humilhação – Philip Roth

09/06/2013

Eu não pretendia escrever alguma coisa sobre A humilhação, do autor norte-americano Philip Roth, mas resolvi rabiscar algumas poucas palavras a fim de explicar, mais à mim mesma do que aos outros, o porquê de ter me encontrado tão confusa ao classificá-lo. O fato é: eu esperava mais. Bem mais... Não trato aqui da escrita e do talento inegável de Roth, falo da história meso que, verdade seja dita, não me agradou nem um pouco.

O livro trata da derrocada do ator de teatro sessentão Simon Axler. O protagonista, muito famoso outrora, sem motivo aparente, simplesmente perde a capacidade de atuar. Ponto. Simplesmente acabou-se o talento do cara. Quando sobe aos palcos, não sabe mais o que fazer e se torna um completo fiasco. A partir daí, ele entra em parafuso e o caminho daqui para frente é uma descida. Íngreme.


"Quando você representa o papel de uma pessoa que está entrando em parafuso, a coisa tem organização e ordem; quando você observa a si próprio entrando em parafuso, desempenhando o papel de sua própria queda, aí a história é outra, uma história de terror e medo."

"O único papel que conseguia desempenhar era o de alguém que desempenha um papel."

Importante: empatia. Embora Simon fosse bastante eloquente ao passar seu sofrimento, sua depressão, seu estado deplorável... Tudo isso em decorrência da perda total do talento, não consegui sentir o mínimo de compaixão pelo personagem. Não foi algo triste, não foi algo desesperador, na verdade, foi algo enfadonho. Tudo bem que os fluxos de consciência são extremamente interessantes, mas acabam perdendo o brilho ao serem usados por um personagem um tanto superficial. Talvez essa tenha sido a intenção do autor, mas o fato é que não me agradou.

Bom, ele resolve se internar por uns dias numa clínica psiquiátrica. O que o Axler chamava de depressão, eu chamo de frescura. E uma das grandes. Até o problema de não conseguir mais atuar me parecia algo feito de propósito. Como se ele estivesse representando o papel de alguém que supostamente tem um problema. Quer problema de verdade? A coleguinha que ele fez na clínica pode exemplificar muito bem o que é ter problemas. Na minha interpretação, Axler tinha apenas o orgulho ferido e o tratava como se fosse algo de suma importância.

É um livro pequeno, dividido em três capítulos, e que apesar de tudo é rapidíssimo de se ler. Logo no primeiro capítulo,  Simon é abandonado pela mulher e se interna na clínica. Nos segundo, a vida do cara dá uma melhorada. Desenvolve um relacionamento no mínimo estranho com a filha de um casal de antigos amigos, vinte e cinco anos mais nova que ele. Um verdadeiro mar de rosas se não fosse pelo fato da fofa ser lésbica – melhor exemplo de casal vinte impossível. No terceiro e último, temos o tal clímax, um final previsível que não é de todo ruim. O que também não quer dizer que seja bom.

No mais, é uma obra que vale pela escrita do Roth – que é bom mesmo quando é ruim – e pela capa lindíssima, mas não pela história que não funcionou comigo. Não houve um diálogo entre nós. Lógico que continuarei a ler Philip Roth, mas, para mim, chega de A humilhação.

4 comentários:

  1. Taci, que coincidência! Eu li Homem Comum do Roth e A humilhação está aqui na minha frente, para eu levar na mala, porque quero ler ainda essas férias!
    Uma pena que você não gostou tanto quanto esperou, só li a primeira parte da resenha, quando eu ler o livro a gente compartilha opiniões ;)
    Beijos!!

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    1. Tati, vou lá já ver o que achou de Homem Comum!

      Pois é, achei A humilhação bem aquém do que o Roth tem a oferecer. Uma pena... Vou ficar esperando suas impressões para a gente prosear ;) Beijos!

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  2. Oi, tudo bom? Espero que sim.

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    Um abração,
    Igor Gouveia.

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    1. Igor, seja muitíssimo bem-vindo!

      Muito obrigada, viu? Vou adorar te ver por aqui! E pode deixar comigo que passarei sempre pelo seu espaço, que é muito bacana também. ;)

      Beijos!!

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