As cinco melhores leituras de 2014

20/12/2014

Lá vamos nós rumo ao fim de mais um ano. E foi um ano complicado. Não cabe aqui enveredar (muito) por outros caminhos que não seja o da literatura, de modo que, até as minhas leituras foram uma questão complicada. Mas li. Pouco, é verdade, mas li. E é sobre as melhores leituras desse ano tão estranho e bom, e ruim também. Tudo bem que fui uma vergonha completa em escrever aqui – ou escrever coisas boas sobre coisas boas já que esse é o objetivo da coisa toda – durante esse 2014 maluco aí, mas voltei. Por hora para falar dos melhores encontros que a literatura me proporcionou. Sobre outras possíveis coisas, o futuro dirá... Mas chega de lero-lero e vamos ao que importa: os cinco melhores livros de 2014!


Um encontro fantástico que este ano me proporcionou. Veio precisamente na hora certa da minha vida e me ofereceu muito mais do que eu procurava. Philip Roth se elevou num outro patamar para mim depois de Indignação. Não vou me estender muito sobre ele porque a obra fala por si, fala fantasticamente por si - também porque já falei sobre ela anteriormente e acredito ter conseguido externar um pouco do que ela significou para mim. No mais, foi incrível.



4. Viver – Yu Hua
Yu Hua foi uma das maiores descobertas que eu fiz em 2014. Devorei esse chinês com uma avidez que há muito eu não sentia, e foi incrível. Viver é incrível, e não falo só sobre o livro. Viver também foi uma experiência sensacional por ter sido compartilhada com a Lulu, descobrimos o Yu Hua juntas, lemos e discutimos um bocado sobre esse ele. E já adianto que o contrato foi fechado para as outras obras desse autor fantástico!



3. A Redoma de Vidro – Sylvia Plath
Finalmente li A Redoma de Vidro! Finalmente! E que encontro tivemos! Um dos melhores livros não só deste ano como também da minha vida, e eu não sei nem explicar o motivo. Ele não causa nada de bom, ele não proporciona sentimentos de bem estar, aliás, muito pelo contrário, A Redoma de Vidro é uma constante caminhada de alguém rumo à autodestruição e poder se identificar com isso também não provoca nenhuma sensação boa. Mas foi necessário e sei que viremos a nos encontrar muitas vezes.


2. O Amante – Marguerite Duras
O Amante me evoca a recorrente sensação de que as coisas acontecem na hora certa. Não conhecia Marguerite Duras, jamais tinha ido procurar mais informações sobre O Amante. Em suma, foi um tiro no escuro que acertou em um livro fantástico. Foi uma leitura que me provocou tantas coisas, mas que, ao mesmo tempo, me sufocou tanto. Por mais que eu queira não vou conseguir transpor em palavras o que O Amante significou para mim, mas foi um dos maiores e melhores encontros que eu poderia ter.


1. A Confissão da Leoa – Mia Couto
Soube que este seria o melhor livro do ano no momento que li as primeiras palavras. Ainda não tinha sido apresentada ao Mia, muito embora soubesse perfeitamente do seu talento e da sua qualidade. Até aqui. E, por mais que eu corra o risco de me repetir, foi o momento certo, ideal, não poderia ter sido em outro. Foi absolutamente fantástico, algo que, também, roubou minhas palavras. A sensação que eu tive, terminada a leitura, foi de completo agradecimento por ter sido brindada com algo tão maravilhoso. E poético. E lindo.



E foram essas as minhas melhores leituras de 2014. Enquanto a lista do ano passado foi baseada na sensação de viver o que estava sendo lido, este ano tudo me remete ao momento certo, me remete à sensação de ter sido escolhida ao invés de tê-los escolhidos. Estava lendo a lista do ano passado e a voz que li lá e a voz com a que falo aqui me soou como se pertencessem a duas pessoas diferentes. De qualquer maneira, o que está feito, feito está. Agora vos pergunto, queridos leitores (se é que ainda não esqueceram de mim), quais foram os livros que os tocaram mais intimamente neste ano que está a se despedir?

6 comentários:

  1. Isso significa um retorno do blog em 2015?
    Esse do Mia Couto deve ser muito bom mesmo. Foi um dos primeiros que você leu dessa lista, não foi? E se manteve na primeira posição, isso significa muita coisa. Sylvia Plath está bem alto na minha lista, já saiu da minha estante e está na minha mesa, me encarando, junto do primeiro romance do Truman Capote e do Poética, da Ana Cristina Cesar. Yu Hua e Marguerite Duras serão comprados em algum momento de 2015 - nem adianta eu me enganar dizendo que vou comprar menos ano que vem, muito provável que eu não vá. Indignação eu já tenho e está na lista, mas tem outros na frente.

    Acho que o que mais ficou na minha memória esse ano foi A Morte do Pai, do Karl Ove Knausgard. Até minha impressão do segundo volume está melhorando agora que eu saí daquele parágrafo de 6 páginas em que ele fala sobre a relação dele com poesia. Iniciantes, do Raymond Carver, e Vôo da Madrugada, do Sérgio Sant'anna, mudaram minha concepção do conto. Acho que esses foram os maiores destaques. Li muita coisa boa esse ano, mas esses ficaram gravados na memória.

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    1. A intenção é essa! Já comecei a me organizar por aqui pra ver se consigo conciliar tudo.
      Esse do Mia foi uma coisa totalmente espetacular e inesperada, sabe? Pois é, lembro que até comentei contigo justamente sobre como eu já o considerava o melhor do ano pra mim. Desde o início ele se manteve intacto no primeiro lugar independente do que veio depois, e veio muita coisa depois. A prosa do Mia é tão linda e ele se mantém tão gracioso entre o que é real e o que é fantástico que eu não tinha como escolher outro.

      Quero muito conhecer a Ana C. ano que vem assim como, e esse será um dos primeiros, o Karl Ove. Vou aproveitar que o terceiro sai em março, se eu não estou enganada, e encarar o primeiro volume. Sérgio Sant'anna também quero conhecer e mais uma boa galera dessa literatura brasileira de hoje. Na verdade, quero me aprofundar mais em literatura brasileira no geral. Também li um bocado de coisa boa esse ano, apesar de quantitativamente ter sido pouco. E ainda tenho esperanças de terminar o Graça Infinita ainda em 2014, quem sabe...

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  2. Fico tão contente quando seu cantinho é atualizado ^_^ Taciele, mesmo que tenha lido poucos livros, lembre-se de que não importa a quantidade das leituras, mas a qualidade delas. Se esses encontros literários te trouxeram momentos incríveis. Então o ano foi de excelentes leituras! ^_~

    Viver <3 Eu que agradeço por ter me apresentado Yu Hua! *abraça* Senti exatamente a mesma coisa: “(...) Devorei esse chinês com uma avidez que há muito eu não sentia (...)”. A leitura foi intensa! <3 Nossas conversas foram deliciosas e sim, o contrato está feito para as demais obras ;)

    Pretendo ler A Redoma de Vidro em 2015... Só falta comprar o livro >_<

    Muito legal quando nos surpreendemos com uma leitura. Eu ia ler O Amante neste ano, mas como ainda não estou no meu lar definitivo, meus livros estão empacotados e eu não sei em qual caixa o deixei. Procurei até minhas costas reclamarem >_< E não, não achei! Ç_Ç

    Só li O Último Voo do Flamingo, do Mia Couto, e achei muito bom! Seus comentários me deixaram curiosa com “A Confissão da Leoa”.

    O livro que me tocou intimamente no ano de 2014 foi... *música de suspense*... Viver <3

    Beijos, Taciele!

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    1. Já eu fico muito contente por ter participado da leitura do livro que mais te tocou esse ano. Sinto-me fazer parte dessa escolha também <3

      O Amante foi uma surpresa absurda. Simplesmente baixei o ebook ao acaso e o devorei de cabo a rabo numa noite de insônia, com direito ao kobo caindo na minha cara e tudo mais.

      Beijos, Lulu!!

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  3. Desses, só li O Amante. O coitado estava na estante havia anos, mas finalmente chegou a vez dele (graças a uma leitura em grupo). Gostei bastante. O Mia Couto estava na minha lista de autores a serem lidos em 2014, mas não deu. Foi empurrado para escanteio...hahaha. Em 2015 pretendo compensá-lo e botá-lo em campo. Sylvia Plath e Philip Roth também aguardam sua vez pacientemente. Quem sabe consigam ser espanados em breve?
    beijo!

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    1. Quem sabe 2015 não seja o ano de colocar tanto o Mia quanto o Roth pra jogo? São sensacionais e desde já fico aqui esperando pelos seus comentários que são sempre ótimos!

      Beijos, Mi!!

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