A Trégua – Mario Benedetti

20/10/2013


Poucas foram as vezes em que caí de encantamentos por um livro logo nas primeiras páginas. Não tenho lembrança imediata da última vez que fui fisgada pelas primeiras palavras, frases, parágrafos... E que incrível foi poder reviver essa sensação, até então adormecida há sabe-se lá quanto tempo, de sentir plenamente as palavras como se elas tivessem saído do papel e flutuado até mim, para mim, ao meu redor.

Posso parecer imensamente ridícula e até prolixa ao repetir sempre que preciso sentir, e sentir cada vez mais, aquilo que estou lendo, mas é justamente isso que procuro nos livros. Procuro sentimento. Procuro a sensação de totalidade que encontro, pelo menos durante aquele momento em que me dedico a ler. Resumindo esta introdução em poucas palavras: Eu senti A trégua.

Ainda estou tentando digerir tudo que li neste livro, estou tentando me recompor. Mario Benedetti não nos poupou e o admiro ainda mais por isso. “Como um livro tão pequeno pode ser tão sensacional quanto dizem por aí?”, pensava eu na minha bolha de ingenuidade de alguém que ainda não conhecia as palavras simples e incisivas desse uruguaio que já me fisgou o coração. Ainda agora não consigo escolher um lugar ao qual me colocar, se no lugar de alguém que usa de todas as palavras de que tem conhecimento para gritar ao mundo que “Por favor, leiam este livro e sintam também o que eu senti!”, ou guardo para mim este sentimento que transforma meu coração numa coisa enorme que começa no estômago e termina na garganta

Francamente não consegui sequer chorar quando virei a última página. Um bolo sem tamanho formou-se dentro de mim e, que nestas palavras que agora escrevo, vou tentando pouco a pouco dissolvê-lo. É tão absurdo, tão real, tão humano, tão simples e tão cheio de significados. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus

Não tentarei colocar alguma ordem nesse jorro que me sai dos dedos porque não consigo classificar e ordenar meus sentimentos. Simplesmente saem e se formam à sua maneira. Geralmente coloco alguns trechos soltos nos comentários que faço, mas aqui sequer isso consigo fazer. Tudo me parece imensamente importante, a mais simples palavra transborda um sentimento primeiro de amor, depois de felicidade e, então, do fim. Do fim da trégua.

Acho que agora quero gritar. Caramba! Como me vi na insegurança, nas ponderações, na resistência de alguém diante dessa trégua que o destino resolveu oferecer. Alguém que faz questão, inclusive, de enfatizar que não há tempo a perder. E cá estamos nós a perder tempo. Chega. Há um momento que os sentimentos não conseguem mais articular-se em palavras, no meu caso este ponto é aqui. Sei que viverei com A trégua dentro de mim por muito tempo e que não sairá de mim, e isso me basta. Precisava apenas tentar diminuir um pouco desse bolo que me sufocava. É isso.

13 comentários:

  1. Respostas
    1. Matheus, que bom ver você por aqui novamente! E muito obrigada. Fico feliz que tenha gostado. =)

      Excluir
  2. Você conseguiu falar muito bem de um livro sem nem mesmo dizer do que ele trata, parabéns. E me convenceu, esta será minha próxima leitura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A minha intenção era realmente dizer o mínimo possível (ou até mesmo nada) sobre o livro. Queria que outros leitores entrassem meio que de olhos vendados na história do Benedetti e se surpreendessem de uma maneira tão positiva, tal como aconteceu comigo.
      E, que bom que você gostou! Vou esperar por seu comentário quando terminá-lo. =)

      Excluir
  3. Mais um autor que preciso conhecer. Consegui sentir o seu envolvimento com a história e isso é lindo. A entrega completa de uma pessoa à leitura, é isso que vejo em sua resenha. Quero viver essa experiência também!
    bjo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mi, fiquei tão feliz com seu comentário! É tão bom quando eu consigo que o outro entenda minhas palavras e sinta o livro junto comigo. Muito obrigada, viu? Também quero muito saber da sua reação, da sua experiência assim que o ler.
      Bjos!

      Excluir
  4. Nossa, adorei o texto, muito bacana... Seu português deixa bem claro como você é uma leitora apaixonada e verdadeira. Parabéns :D Nossa, adorei o seu blog! Estou seguindo, você poderia fazer o mesmo? O meu blog é novinho ainda, seria muito bom receber a sua ajuda! Se quiser se afiliar, eu também ficarei muito feliz, obrigada e até mais!

    Xoxo <3
    interesses-sutis.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  5. Linda resenha. Tenho esse livro e preciso ler já que muitas pessoas falam tão bem. Do autor li apenas Primavera num espelho partido, sensacional.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Flávia, obrigada! Tenho aqui o Primavera num espelho partido e tô já me lançando na leitura dele. Fiquei apaixonada por esse uruguaio rs
      Bjos!

      Excluir
  6. Que bela resenha Taciele! Sinto-me até um pouco envergonhada de comentar, mas não conhecia Mario Benedetti. Agora vejo que preciso imediatamente mudar esse status XD Bjs!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Marina, muito obrigada! E não se sinta envergonhada por não ter conhecido ainda o Benedetti, sinta-se estimulada! hahaha
      Bjos!

      Excluir
  7. acho incrível a forma como o Benedetti constrói seus personagens: exato, dá para pensar que eles podem ser encontrados e são reais como nós!
    olha aqui galera: http://portugues.free-ebooks.net/ebook/A-Tregua

    Beijos! E muito mais benedetti's para vocês! rs

    ResponderExcluir

 
FREE BLOGGER TEMPLATE BY DESIGNER BLOGS