Hamlet – William Shakespeare

07/08/2013


Vingança é algo que me remete muito a novela mexicana. E, verdade seja dita, eu adoro uma novela mexicana mesmo com seus dramalhões, afetações e histórias previsíveis. Hamlet, de William Shakespeare, trata exatamente sobre esse tema que rende boas (ou não) histórias na dramaturgia e literatura: VENGANZA. Quem acompanhou minhas resenhas de duas das comédias de Shakespeare, A Megera Domada e Sonho de uma Noite de Verão, percebeu que o Bardo ficou bem aquém das minhas expectativas. Mas como sou brasileira e não desisto nunca, dei um tempo nas comédias e resolvi investir nas tragédias. E cá estou eu para falar de uma das mais famosas tragédias escritas por Shakespeare: Hamlet.


O Rei Hamlet bateu as botas, picou a mula, passou dessa para uma pior, morreu. Só que o fantasma do antigo rei continua passeando pelo castelo (assustando as criancinhas! Mentira haha), até que o seu filho, Hamlet Jr., vai trocar uma ideia com o velho e descobre que o pai foi assassinado (!) pelo próprio irmão, o tio de Hamlet Jr. e agora Rei da Dinamarca, o tio Cláudio. O tio Cláudio, muito esperto, matou o antigo rei e tomou a coroa para si (a que coloca na cabeça e a viúva também)! Hamlet Jr. então se revolta e vai atrás da vingança contra seu tio (vingança essa pedida por um fantasma com sangue no zóio, que sai passeando por aí de armadura e tudo!).

Bom, brincadeiras à parte, Hamlet é o livro do famoso monólogo iniciado pela célebre frase "Ser ou não ser – eis a questão". Inclusive, um dos monólogos mais sensacionais de todo o livro é o que segue a frase.

Sobre o que acontece daqui para a frente, deixo que os futuros leitores o descubram. Muito embora eu acredite que hoje em dia contar o final de uma história de Shakespeare, já tão disseminadas mundialmente, nem chegue a ser mais spoiler. O que eu quero dizer agora é essa minha relação estranha com o Bardo. Definitivamente Shakespeare e eu dialogamos bem mais nesta tragédia do que em suas duas outras comédias, já citadas acima. Ainda assim não há uma comunicação fluida entre nós. Pode parecer idiotice, mas eu gosto quando o autor é capaz de conversar com o leitor, quando há uma relação de mútuo entendimento. Eu não sinto esse envolvimento com William Shakespeare.

Não tenho nenhum embasamento teórico para analisar criticamente a obra de Shakespeare, nem esse é o meu intento. Falo aqui apenas das minhas impressões como leitora e nada mais. Hamlet, mesmo não sendo o que eu esperava, como vem acontecendo com as minhas recorrentes leituras de Shakespeare, está acima das demais. Por vezes atual e bastante incisivo, Hamlet é mais maduro ao retratar os sentimentos humanos, principalmente os não tão bons. No mais:

"É! Na velhacaria destes tempos flácidos,
A virtude tem que pedir perdão ao vício;" (p. 92)

18 comentários:

  1. O negócio com o Shakespeare é que, se você parar pra analisar a linguagem, a estrutura e os conceitos que ele trabalha - que até hoje são reutilizados em milhares de outras obras, além de releituras (de Akira Kurosawa até a Disney) -, então dá pra entender o que ele tem de tão especial, mas a leitura só serve mesmo para ser estudada, e não necessariamente pode ser aproveitada como entretenimento - talvez possa pela beleza dos versos, mas não como passatempo.
    No entanto, não acho que ele foi feito para ser lido, mas assistido e interpretado. Essas histórias são roteiros, por isso não falam com o leitor como um romance falaria. Sugiro que você dê uma olhada nas velhas adaptações para cinema das obras do Shakespeare, geralmente com Peter O'Toole, Orson Welles ou Laurence Olivier no elenco. Dá para ter uma visão diferente da obra.

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    1. Raphael, discordo quando você diz que a leitura não pode ser aproveitada como entretenimento, até porque como uma peça teatral seu maior objetivo era justamente entreter.
      Já eu acredito que por ser mais imediatista, uma peça fala ao leitor e/ou telespectador mais diretamente do que um romance o faria.

      Muito obrigada pelas sugestões. Vou procurar assisti-las, talvez dessa forma minha visão a respeito de Shakespeare mude e eu passe a ver suas obras sob um prisma diferente.

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    2. Entendi o que você quis dizer e concordo que o objetivo de qualquer peça é entreter, só acho que falta alguma coisa na leitura, afinal, assim como ela foi feita pra entreter, ela também foi feita para ser interpretada por atores em cena. Mas existem sim muitos roteiros que funcionam por si só, na verdade, Hamlet e Macbeth me serviram bem pra esse propósito.
      Interessante você dizer que a peça, por ser imediatista, fala mais diretamente com o leitor. Eu já penso o contrário. Acho que a falta de uma descrição e narração mais profunda atrapalha na imersão do leitor na obra, em comparação com um conto ou romance.

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    3. De fato acontece uma imersão muito maior em contos e romances, mas o que eu quero dizer é que o livro te permite que você amadureça a leitura e a história na sua cabeça. Não é algo a curto prazo, você tem tempo para digerir aquilo que leu.
      No teatro não tem esse tempo. Tem que tocar o telespectador naquela hora, naquele momento, foi isso que eu quis dizer com falar mais diretamente.

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    4. Agora entendi o que você quis dizer. É verdade, o teatro literalmente fala ao espectador.
      Mas é aquilo que a gente conversou ontem, tudo questão de gosto. Tolstói - autor que você gostou bastante - detestava Shakespeare (e fez pelo menos um ensaio crítico falando do quanto ele se decepcionou com as peças dele, principalmente as mais aclamadas). George Bernard Shaw disse que, depois do surgimento de Henrik Ibsen, o Bardo tinha se tornado obsoleto para a dramaturgia. Então você não está sozinha, nem mal-acompanhada.

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  2. Oi, Taciele!

    Shakespeare? Cara, me indica mais uns blogs como os seus que eu tô precisando! Sério, eu amo os livros que você resenha. Esses eu realmente leria.

    Acho que quando eu for ler esse livro vou lê-lo em Inglês. Você achou a tradução boa?

    Gostaria muito de ler vários dos livros que você resenha, mas não me sinto apta, sabe? Eu sinto que por algum motivo sou muito 'verde' para ler esses livros e desperdiçarei meu tempo.

    Todo esse complexo começou quando eu não consegui ler Angústia. O que você acha?

    Ah, e sobre não conseguir dialogar com Shakespeare... Acho que isso é esperado, até. Temos que levar em consideração a época e a região em que o livro foi escrito. 'Calorosos' não é a melhor palavra para descrever as pessoas daquela época, rs.

    Abraços (e esperando ansiosa pela próxima resenha),

    Mariana Machado
    http://lentesdeleitura.blogspot.com.br/

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    1. Mariana, fico muito feliz que você goste do que eu posto aqui!

      Sobre a tradução, eu sinceramente não gostei muito, não. Aliás muito de Shakespeare se perde na tradução. Li em português porque não me atrevo a ler Shakespeare no idioma original, pelo menos não por enquanto.

      Eu acho que o livro que te escolhe, independente da idade. Com meus 14 anos meu autor favorito era o Eça de Queiroz e, na época, li quase todos os livros dele. Então se você sentir vontade de ler determinado livro tem que ir em frente, embora alguns realmente precisem de uma bagagem maior até para um melhor entendimento. De qualquer maneira eu sou da opinião de que o melhor é se jogar de cabeça mesmo, sem medo!

      Quando eu digo dialogar/conversar eu me refiro mais a sentir o autor. Sentir o que ele escreve, sentir os dilemas das suas personagens... Para mim o dialogar é, basicamente, sentir. Sendo assim, para mim a época em que a história foi escrita não interfere muito, porque sentimento é atemporal.

      Muito obrigada pelo comentário! Bjos =)

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  3. Taciiii, você que é a Gossip Girl! hahaha

    brinks :P

    Cara, ainda não li nada de Shakespeare mas tenho a leve, bem leve, impressão que nem vou conseguir gostar - posso estar enganada!

    Entre as minhas leituras em inglês, que com certeza eu vou resenhar em inglês, tá a obra The Winter's Tale. Só que como o inglês é arcaico, acho que esse livro vai ficar beeeeeeeeeem no final da lista hahahha

    Beijinhos
    Um Metro e Meio de Livros

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    1. Guardei esse segredo durante muito tempo, mas resolvi falar: eu sou a verdadeira Gossip Girl!!

      Eu realmente, ao menos por enquanto, não sinto muita vontade de ler em inglês, mesmo não gostando muito das traduções que fizeram pro nosso pt-br. Talvez um dia, bem lá para frente, eu me resolva a ler no original... Eu queria mesmo era aprender russo e então ler os Dostoiévskis e Tolstóis na língua mãe, mas né? Deixa eu voltar pra terra hahaha

      Bjos =D

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  4. Oi, amei o blog e a sua resenha!
    E a respeito de Shakespeare, também não travo um diálogo muito bacana com ele, apesar de reconhecer a grandeza de suas obras.

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    1. Oi, Natalie, muito obrigada!
      Pois é, Shakespeare e eu precisamos nos encontrar ainda muitas vezes mais para que possamos encontrar uma maneira de nos entendermos mais profundamente.

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  5. Adorei a resenha! Eu tenho interesse por Hamlet mais por Rei Leão ter sido inspirado nele do que por "ser ou não ser", haha. Por vingança ser o tema principal da obra, eu acabo me interessando ainda mais, porque é presente em nossas vidas desde os tempos mais remotos e jamais sairá, isso me intriga, haha. Enfim, ótima resenha e adorei o blog!
    Bom fim de semana!
    http://literallypitseleh.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Schrotz, que bom que gostou! Obrigada =)

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  6. Já li Hamlet no Desafio do ano passado. Gosto principalmente do monólogo "ser ou nao ser". Para mim, facilitou muito minha compreensao de Shakespeare qdo assisti aos filmes do Keneth Branagh e depois do Akira Kurosawa, porque sou muito visual e peças a gente tem que assistir, nao é? Depois de ver os filmes e algumas peças no teatro, a leitura de Shakespeare ficou bem mais fácil de interpretar. Hoje nem preciso mais de ver uma peça para lÊ-lo porque já peguei o jeito. Abraço

    http://organizando-o-caos.blogspot.ca/2013/08/desafio-literario-v-de-vinganca.html

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    1. O monólogo "ser ou não ser" é sensacional mesmo! Eu reli várias vezes porque achei simplesmente incrível. Por ele o livro valeu para mim.
      Vou dar uma conferida nas adaptações, sim. Dão um novo ponto de vista para se observar e interpretar as obras de Shakespeare. Bjos =)

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  7. Oi, Taci!
    Eu adoro Shakespeare, tanto as comédias quanto as tragédias. Mas acho que o Raphael, lá nos comentários anteriores, tocou em um ponto importante: os textos do bardo funcionam melhor no palco e nas telas do que nos livros. Eu, pelo menos, tenho uma certa implicância com roteiros e peças. Sinto falta das descrições mais detalhadas de contexto, cenário, emoções, etc.
    Mas não dá para ignorar a importância de Shakespeare e suas críticas à sociedade. E vale a pena ler em inglês. É bem estranho no começo, mas compensa. A sonoridade e alguns jogos de palavras infelizmente se perdem na tradução.
    beijo!

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    1. Vou encarar dar uma relida no original, com certeza vai ser como ler uma obra nova, já que acredito bastante que muito de Shakespeare tenha se perdido nas traduções. Bjos, Mi =)

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  8. Oi Taciele, tudo bem? *.*
    Estou visitando seu blog pela primeira vez e confesso que adorei tudo que vi por aqui. Parabéns viu? Espero voltar mais vezes.
    Adorei a sua resenha. É um livro clássico né! Confesso que nunca li. Mas como não conhecer as obras de Shakespeare? haha Não tem como né.
    Sucesso com seu blog. Tô te seguindo! Me visita ta?

    Beijos,
    Jéssica - Ela e Seus Livros
    http://elaeseuslivros.blogspot.com.br ♥

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